Nas últimas décadas, a humanidade tem observado cada vez mais de perto os asteroides que cruzam o espaço próximo da Terra — os chamados NEOs (Near-Earth Objects). Em dezembro de 2024, um desses objetos chamou atenção especial: o asteroide 2024 YR4.
Batizado logo após sua descoberta, ele rapidamente entrou nas notícias científicas e no radar de agências espaciais como a NASA e a ESA (Agência Espacial Europeia).
O motivo? Sua trajetória cruzava potencialmente o caminho da Terra para dezembro de 2032 — mas, à medida que mais observações foram feitas, o cenário mudou. O que começou com estimativas incertas evoluiu para um quadro científico mais claro e mais interessante do que muitos imaginavam.
Abaixo, reunimos todos os dados mais confiáveis e atualizados sobre o 2024 YR4: como ele foi descoberto, o que as probabilidades realmente dizem, qual é o risco para a Terra e por que agora se fala mais em uma possível colisão com a Lua do que com o nosso planeta.
O que é o asteroide 2024 YR4?

O 2024 YR4 é um asteroide que cruza a região próxima da Terra. Ele foi descoberto em dezembro de 2024 por meio do sistema de alerta de asteroides da NASA. Assim que foi detectado, os astrônomos começaram a acompanhar sua órbita com telescópios terrestres e espaciais.
Estimativas feitas com observações do James Webb Space Telescope indicam que ele tem cerca de 53 a 67 metros de diâmetro, algo comparável à altura de um prédio de 15 andares.
Por causa desse tamanho, se um impacto direto contra a Terra ocorresse, poderia causar danos regionais significativos, semelhantes ao evento de Tunguska em 1908 — um fenômeno que devastou cerca de 80 milhões de árvores na Sibéria.
🔎 O risco de impacto com a Terra: praticamente descartado
Quando o 2024 YR4 foi detectado pela primeira vez, os dados eram preliminares o bastante para levantar preocupações iniciais. Em fevereiro de 2025, as estimativas ainda indicavam uma possibilidade superior a 1% de impacto com a Terra em 22 de dezembro de 2032.
Contudo, esse número mudou rapidamente.
Com o refinamento das observações — inclusive com dados do James Webb Space Telescope — as agências espaciais foram refinando a trajetória do asteroide. Segundo modelos mais recentes, o risco de um impacto terrestre em 2032 agora é estimado em cerca de 0,0017% (aproximadamente 1 em 59.000), o que significa que há 99,9983% de chance de ele simplesmente passar sem colidir com a Terra nesse período.
Essa redução drástica não é incomum: quando um novo objeto espacial é descoberto, as incertezas iniciais são grandes. À medida que mais dados são coletados, o cálculo orbital fica mais preciso, e o risco costuma cair — a não ser que os dados apontem o contrário.
A mais provavel colisão com a Lua

Embora a chance de impacto com a Terra seja agora praticamente zero, de acordo com a Sky at Night Magazine os modelos orbitais indicam que há uma probabilidade pequena, porém maior comparativamente, de o asteroide colidir com a Lua no mesmo dia — 22 de dezembro de 2032.
Os números sugerem uma chance de cerca de 3,8% a 4,3% de impacto lunar com base nas observações mais recentes.
Mesmo que pareça pequeno, isso é considerado significativo em termos astronômicos, porque:
- A Lua está mais próxima e, embora menor em tamanho que a Terra, tem uma “janela” orbital diferente, que pode coincidir com a trajetória do asteroide.
- Um impacto lunar, conforme simulações, poderia liberar energia equivalente a cerca de 6,5 megatons de TNT, e criar uma cratera de até 2 quilômetros de diâmetro — uma ocorrência rara e visível.
O que ocorreria se o asteroide atingisse a Lua?
Embora o evento não represente risco direto de extinção para a Terra, o impacto lunar poderia ter efeitos indiretos interessantes:
Fragmentos na órbita terrestre
Estudos mostram que um impacto poderia liberar milhões de toneladas de poeira e rochas lunares na órbita da Terra. Uma parte desses fragmentos poderia, teoricamente, entrar na atmosfera terrestre nos dias que se seguirem ao impacto, o que criaria:
- chuvas de meteoros mais intensas;
- riscos adicionais para satélites e até para a Estação Espacial Internacional;
- visuais impressionantes no céu noturno.
Riscos para missões espaciais
Especialistas apontam que, se parte desses fragmentos permanecer em órbita, poderia haver risco aumentado para equipamentos e futuras missões lunares, embora a probabilidade de grande dano ainda seja considerada baixa no cenário atual.
Por que os números mudam tanto?
Quando um asteroide é descoberto, sua trajetória é calculada com base em dados limitados — geralmente algumas semanas de observação. Isso cria um “intervalo de incerteza” — uma faixa de possíveis órbitas que o objeto pode seguir.
À medida que mais observações são feitas de diferentes posições no espaço, especialmente usando telescópios como o James Webb, essa faixa é reduzida, e os cálculos se tornam mais precisos. Isso explica porque os números iniciais de risco podem parecer alarmantes, mas depois acabam sendo muito menores ou praticamente nulos.
O futuro do monitoramento
O 2024 YR4 será difícil de observar novamente até que ele retorne à proximidade do Sol e da Terra em 2032, quando telescópios poderão capturá-lo novamente e atualizações serão feitas.
Até lá, cientistas continuarão analisando dados existentes para refinar ainda mais sua trajetória e confirmar ou descartar a chance de impacto lunar.
Além disso, esse objeto serve como um exemplo perfeito do trabalho de defesa planetária moderna. A capacidade de rastrear, calcular e reduzir a incerteza demonstra quão avançada a ciência se tornou nos últimos anos.
risco real ou exagero?
Aqui estão os fatos científicos sem alarmismo de acordo fontes como a NASA Science:
- O asteroide 2024 YR4 foi descoberto em dezembro de 2024 e entrou na lista de monitoramento por cruzar a órbita terrestre
- Ele tem cerca de 53–67 metros de diâmetro, um tamanho capaz de causar efeitos regionais em caso de impacto.
- A chance de atingir a Terra em 2032 é praticamente zero — cerca de 0.0017% ou menor.
- A probabilidade de impactar a Lua é um pouco maior (cerca de 3,8–4,3%), mas ainda pequena
- Mesmo um impacto lunar não colocaria a Terra em perigo direto, mas poderia gerar fragmentos que passariam pela atmosfera.
Isso nos mostra uma coisa fundamental: o universo é dinâmico, e a ciência está trabalhando duro para entender cada pedaço dele, mas nada do que se sabe hoje aponta para uma ameaça real de impacto terrestre neste caso.
No entanto, sem pânico, as chances calculdas de impacto são de 4%, e outro fator é que a teoria que mencionamos acima sobre os fragementos não é unanimidade entre os cientistas, em suas redes sociais, o diretor do escritório de defesa espacial da agencia planetária Europeia, Richard Morrison, disse: “O 2024 YR4 certamente deixaria uma nova cratera na superfície da lua. No entanto, não seriamos capazes de prever com precisão de material que seria lançada ao espaço, ou mesmo se alguma parte dele atingiria a terra.”
O Facto é que o 2024 YR4 já se afastou da terra tendo ido para as profundezas do sistema solar, por ter 60 metros, quanto mais longe estiver, mais difícil é de enxergar ou calcular. O 2024 YR4 retorna para os arredores da posição mais próxima de nós em Junho de 2028, somente nesse tempo é que se saberá com muito mais certeza o tempo, a precisão e de facto haverá algum impacto em 2032.
Enquanto isso, os escritórios de defesa espacial da agencia planetária Europeia e a rede internacional de alerta de asteroides, presidido pela NASA, seguem estudando a possibilidade de uma intervenção preventiva.
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